Coração febril

Eu amo e odeio as palavras
Essas facas de dois gumes
Essas prisões de mim mesmo
A libertação do meu ser
Eu odeio as palavras que não sei dizer
Deixam-me encarcerado sem saber
Sem saber o que fazer
Mas as palavras são o meu poder
Minha ação, minha espada, meu alaúde
Minha atitude, minha saúde
São a energia do meu querer
Minha vontade de viver
As palavras são um espelho fosco
Da imensidão da minha mente
As minhas ideias me obrigam
A levantar e seguir em frente
Palavras escritas, palavras faladas
Palavras sinceras, palavras forjadas
Palavras vitais, palavras em vão
Palavras jogadas ao chão

Eu sou um artista, a conquista
Um anti-qualquer-coisa anarquista
Tenho a sorte, a morte, a vista
Eu vejo milhas à frente
Vejo um mundo diferente
Um avatar, um sem-par
Faça a lista, um egoísta
Nada afeta, não tenho meta
Não ando em linha reta
Eu sou um poeta
Eu sou um poeta