Clímax

            Em seus olhos vejo a vida, em seu corpo sinto o mundo, quando a possuo e a tenho junto a mim, quando me entrego, me perco e me acho em seus encantos. Desse amor tiro minha força, esse amor é tudo que eu preciso ter, toda explicação, toda a sabedoria.

            E, quando chega o clímax, sinto todo o universo em mim, em nós, que somos um só naquele momento que dura uma eternidade. A suprema comunhão, estou nela, estou em mim, estou em toda a parte. Sinto e não sinto, sou e não sou, estou presente em tudo e em nada no instante exato em que ambos chegamos onde tudo teve início e fim, sem início nem fim.

            Em uma dessas vezes, por uma única vez, fui ainda mais longe e pude ver o Criador. Ver sem ver, sentir sem sentir, algo além dos sentidos conhecidos. Estive diante Dele e senti que Ele sempre esteve em mim.

            Pude compreender que eu tinha direito a uma pergunta. Apenas uma, nada mais. Nada foi dito com sons, mas sentido, percebido por algo diferente de olhos e ouvidos. Porém, eu sabia, sentia em cada parte de meu ser, que havia um único segundo para mim. Logo tudo estaria consumado e eu voltaria aonde estava antes. Milhares de pensamentos passaram como um raio em minha mente, tantas dúvidas e questões, rodopiando como um furacão.

            Mas foi somente uma pergunta que saiu:

            – Por quê?

            Ao que me foi respondido:

            – Não sei; vos criei justamente para que me explicassem.