Perante o julgador

– Não consigo ver nada que esse homem tenha feito de errado!

Mas a multidão urrava, pedindo por sua condenação. Tentando evitar uma confusão maior, ele o chamou para falar em particular.

– Escute, não vejo por que te condenar, porém preciso que faças algo! Como posso dizer-te inocente se não falas em sua defesa?

– Eu devo ser condenado.

– És louco? Sabes que isso significa tua morte?

– Sei; e devo cumprir meu destino.

– Não regulas bem da cabeça, creio que essa é tua única culpa.

– Não peço que me compreendas.

– Devo então lavar minhas mãos quanto a ti?

– Sim; isso seria perfeito. Serviria por séculos como um exemplo de omissão. As pessoas usarão essa história para ensinar o erro de omitir-se perante os fatos da vida. Sim, isso mesmo, diga que lava as suas mãos de meu sangue!

– É isso mesmo que queres? Achas mesmo que lembrarão disso pelos séculos que virão?

– Assim creio, mas para ti não fará diferença.

Mas ele conhecia a fama daquele homem. Em pouco tempo ficou conhecido por toda a região e conseguiu admiradores e discípulos. E se estivesse certo?

A mulher do julgador veio ter com ele:

– Não faças nada de ruim a este homem; tive um sonho com ele que me atormentou essa noite.

Ele parou para pensar.

– Escutes, se tens razão quanto a isso, então meu nome estará para sempre ligado ao erro da omissão.

– Um nome é só um nome, vai-se com a poeira dos tempos.

– Mesmo assim, não pensas que é muito para pedir de alguém que nem ao menos te conhece?

– Não, não penso; ao meu melhor amigo, pedi que me traísse.

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