Venturas e Desventuras do Engenhoso Cavalleiro do Lago

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  1. Salve o cavaleiro
  2. Vegetais
  3. Tou saindo
  4. Alguma coisa nova
  5. Entre a máquina e a massa
  6. Blues de pai Joaquim
  7. Dos Freitas
  8. O arraiá dos templários
  9. Sagração
  10. Ilha dos amores
  11. São Jorge matou o dragão
  12. O monstro de mil faces
  13. A entidade
  14. Somente minha mente
  15. Eu tenho tanto
  16. Doze
  17. Se um dia você me deixasse
  18. Sangreal

Lançado em setembro de 2007.

Gravado entre outubro de 2006 e agosto de 2007, exceto “Entre a máquina e a massa”, agosto de 2005, e “Doze”, junho de 2005 e terminada em novembro de 2006.

Todos os vocais, programações e sons por Leo Lago, exceto risadas de Éfire em “Ilha dos Amores”.

Todas as letras e músicas por Leo Lago, exceto:
“Blues de pai Joaquim”, trechos de domínio público;
“Dos Freitas”, letra de D. João Ribeiro Gaio;
“Sagração”, trechos de domínio público;
“Ilha dos Amores”, letra de Luís de Camões com trechos de Machado de Assis;
“São Jorge matou o dragão”, trechos de domínio público;
“Doze”, trecho de Apolônio de Tiana; e
“Sangreal”, trecho de Rose Tery Cooke, traduzido e adaptado por Leo Lago.



Letras:

1. Salve o cavaleiro

Salve o cavaleiro
Salve o cavaleiro do lago

Eu sou o cavaleiro, o cavaleiro do lago
Herdeiro e descendente de Lancelote do Lago
O mesmo que andou com Merlin, o mago
E o Rei Arthur de Bretanha
E toda luta sou eu quem ganha
E toda luta sou eu quem ganha
Eu sou o cavaleiro, o cavaleiro do lago
Herdeiro e descendente de Sir Galahad
Lutando contra toda, toda a maldade
Lutando contra toda, toda a maldade

Meu lar é esse mundo imenso
E toda luta sou eu quem venço
Eu sou aquilo que faço e penso
E toda luta sou eu quem venço

Salve o cavaleiro
Salve o cavaleiro do lago

2. Vegetais

Nós somos vegetais
Vivemos nossa vida em paz

Acordei, bom dia sol
Levantei, sacudi o pó
Saí para passear
Olha o dia a brilhar

Bom dia, vegetais!
Bom dia, senhores normais!
(Não fale com ele, meu filho, não vê que ele é diferente?)
Mas ninguém vê a minha mente…

Bom dia, seu Feijão
Para o senhor, tudo de bom
Bom dia, dona Chicória
Eu já sei o fim da história

Bom dia, vegetais!
Bom dia, tudo em paz!
(Deviam proibir sair gente desse tipo na rua!)
Se você não entende a culpa é toda sua…

Bom dia, seu Aspargo
Por que esse sorriso amargo?
Bom dia, dona Espiga
Não é que ninguém liga?

Bom dia, vegetais!
Bom dia, nada mais!
(Eu sei que venci na vida, você não passa de fracassado!)
Mas logo tudo será passado…

Vocês são comida pro sistema
Não se preocupe, não há problema
Mas eu sei, ninguém me engana
Vocês não passam de bananas!

Trabalhe em seu posto, pague seu imposto
Trabalhe sem parar sem nunca reclamar
Pelo seu esforço, se aposente quase morto
Pelo seu esforço, se aposente quase morto

Yes, nós somos bananas!
Bananas até morrer!

Bom dia, vegetais
Não vão entender jamais!

3. Tou saindo

Tou saindo, tou saindo
Tou caindo fora
Tou saindo, tou saindo
Tou indo me embora

Essa canção é pra todos aqueles
Que estão deixando pra trás
Aquilo que já não satisfaz
Rumo ao novo
Rumo ao desconhecido
Ao novo
Rumo à liberdade!

Essa canção é pra partir
Essa canção é pra dizer adeus
Essa canção é pra dar boas vindas ao novo
Ao novo!

4. Alguma coisa nova

Eu quero
Alguma coisa nova,
Alguma coisa nossa,
Alguma coisa fora
Dessa velha bossa
Eu quero novidade
Chega de saudade
Alguma coisa nossa
Pra me tirar da fossa
Alguma coisa nova,
Alguma coisa agora,
Alguma coisa fora,
Alguma coisa, ora!
Alguma coisa nossa,
Alguma coisa agora!

Algo diferente
Pra ligar a mente
Vejo claramente
Algo diferente
Que ligue minha mente

Eu consigo ver sem óculos
Enxergo estrelas sem binóculos
Não quero siglas, tampouco rótulos

(Uma ouvidinha em minha música, pelamordedeus)

5. Entre a máquina e a massa

Agônico levanto as mãos ao céu implorando ajuda
Esmagado entre a máquina e a massa, dor aguda
E eu pensando em cantar um xote e um xaxado
Um rock, um blues ou um forró safado
Um tango, escute meu canto num canto do Brasil
Pisando fundo como um mestre, sei que sou um em mil
Rindo louco de euforia, eu já passei por tudo
Se eu quero, rodo todo esse mundo em um segundo

Se faz sentido, não sei
Pense você no que eu cantei
Sem saída, nem escapatória
Pra quem muda, eis a história!

Esmagado entre a máquina e a massa
Esmagado entre a máquina e a massa
A canção fica, tudo o mais passa
Esmagado entre a máquina e a massa

6. Blues de Pai Joaquim

Na aroeira de São Benedito
Santo Antônio mandou me chamar

Pai Joaquim, ê ê
Pai Joaquim, ê á
Pai Joaquim veio de Angola
Pai Joaquim veio de Angola, Angolá

Que saudade da minha terra
Que saudade de Angola
Que saudade da minha gente
Que vive em outro lugar

Escravo nessa terra
Eu só faço é trabaiá
Preto véio sabe muito
Sabe mais é perdoá

Sinhô pensa que é sinhô
Mas minha alma voa livre em Angola
Sinhô pena pra ser sinhô
Mas só existe um sinhô pra nos comandar
Zambi!

Irmãos sofrendo
Me sinto blue
Irmãos no tronco
Me sinto blue

Nêgo tá cansado de trabaiá
(Trabaia, trabaia, nêgo)
Mão do nêgo tá que é calo só
(Trabaia, trabaia, nêgo)

(Não, meu fio
Não chore mais
Você sabe, seu pai tem que partir
Mas todas as atribulações dessa vida, meu Deus
Num são eternas
Seu pai tem que partir)

7. Dos Freitas

Em cinco estrelas douradas
Postas em campo sanguinho
Dos Freitas godos usadas
Entre o Douro e mais o Minho
Foram as mais veneradas

8. O arraiá dos templários

Segue no caminho o véio solitário
Rezando rezas véias de seu escapulário
Reza antiga e forte que num sabe o vigário
Véias crenças esquecidas dentro de um armário
Mas guardadas no fundo desse seu ossário
Queimando antigas ervas no seu incensário
Ele num teme saque de nenhum corsário
Inté porque num tem nada em seu inventário
A num ser a memória de causos vários
E a véia lei que rege sempre os contrários
Bem e mal, vida e morte, triste e hilário
Sem malandro não há, vice-versa, otário
E ele é membro, ele é membro, membro honorário
Da festa que acontece mas num tem horário
O arraiá dos templários, o arraiá dos tempos

O arraiá, o arraiá dos templários

Todo mundo, todo mundo

9. Sagração

Em nome de Deus, de São Miguel e de São Jorge,
Eu vos armo cavaleiro
Sede valente, leal e corajoso

Eu sou o cavaleiro
Eu sou o cavaleiro do lago

10. Ilha dos Amores

Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem Amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora dele maltratado,
E tinha já por firme pressuposto
Ser com amores mal afortunado,
Porém não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança,

Quis aqui sua ventura, que corria
Após Éfire, exemplo de beleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu para dar-se a natureza.
Já cansado correndo lhe dizia:
“Ó formosura indigna de aspereza,
Pois desta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma.

“Tu não te pareces com as mulheres vulgares
que tenho conhecido.
Espírito e coração como os teus são prendas raras.
Como te não amaria eu?” *

“Todas de correr cansam, Ninfa pura,
Rendendo-se à vontade do inimigo,
Tu só de mi só foges na espessura?
Quem te disse que eu era o que te sigo?
Se to tem dito já aquela ventura,
Que em toda a parte sempre anda comigo,
Ó não na creias, porque eu, quando a cria,
Mil vezes cada hora me mentia.

“Ó não me fujas! Assim nunca o breve
Tempo fuja de tua formosura!
Que, só com refrear o passo leve,
Vencerás da fortuna a força dura.
Que Imperador, que exército se atreve
A quebrantar a fúria da ventura,
Que, em quanto desejei, me vai seguindo,
O que tu só farás não me fugindo!

“Tu não te pareces com as mulheres vulgares
que tenho conhecido.
Espírito e coração como os teus são prendas raras.
Como te não amaria eu?” *

“Nesta esperança só te vou seguindo:
Que, ou tu não sofrerás o peso dela,
Ou na virtude de teu gesto lindo
Lhe mudarás a triste e dura estrela:
E se se lhe mudar, não vás fugindo,
Que Amor te ferirá, gentil donzela,
E tu me esperarás, se Amor te fere:
E se me esperas, não há mais que espere.”

Já não fugia a bela Ninfa, tanto
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto já sereno e santo,
Toda banhada em riso e alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.

Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.

“Amai, rapazes!
E, principalmente, amai moças lindas e graciosas;
elas dão remédio ao mal, aroma ao infecto,
trocam a morte pela vida…
Amai, rapazes!” **

Letra: Luís de Camões, Os Lusíadas com trechos de Machado de Assis, * carta a Carolina Novais e ** Dom Casmurro.

11. São Jorge matou o dragão

São Jorge matou o dragão, eu também quero matar
Com meu escudo, armadura e lança empinada no ar

Esse mundo tem tanta iniquidade
Eu quero ser um cavaleiro da bondade
Combatendo sempre o bom combate
Com justiça, amor e lealdade
Sem me curvar a nenhum imperador
E negar o que creio e o que sou
Seguindo o exemplo de Jorge, o soldado
O santo, o guerreiro, a fé ao meu lado
Em eterna busca da verdade
Lutando contra o dragão da maldade
Pois eu sei que hei de esmagá-lo
Sob os santos cascos de meu cavalo

Valei-me, meu São Jorge!

Minha bandeira tem uma cruz
Minha bandeira é cercada de luz

Salve Jorge, que ele é do bem!

Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
Estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas,
Defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza,
E que debaixo das patas de seu fiel ginete
Meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós

Salve São Jorge glorioso
Da pátria celestial
Abençoai vossos filhos
Com bondade fraternal

Ogã toca pra Ogum
Ogã toca pra Ogum
Ogã toca pra Ogum que eu quero ouvir
Ogã toca pra Ogum que eu vou pedir

Bandeira içada é sinal de uma vitória
Nos campos do Humaitá
E na umbanda vamos todos saravá
Linda falange que sabe guerrear

12. O monstro de mil faces

Um monstro de mil faces é o que temos que enfrentar
Um monstro de mil faces, todas pra te enganar
Inventado e controlado, não se sabe bem por quem
Quem dele escapou, eu não soube de ninguém

Como um camaleão, sempre a se transformar
Sugando nosso sangue, tirando nosso ar
Criando ilusões, sempre a nos enganar
Usando nossas armas para contra-atacar

Um monstro de mil faces para enganar você
Você tem que ter mil olhos para ver
Monstro de mil disfarces todos pra te iludir
Você tem que ter mil pernas pra seguir

Sozinho serei só mais um para derrubar
Juntos podemos o mundo transformar
O monstro não é tão poderoso assim
Se todos nós acordarmos, enfim

Um monstro de mil faces é o que temos que enfrentar
Um monstro de mil faces, todas pra te enganar
Inventado e controlado, não se sabe bem por quem
Quem dele escapou, eu não soube de ninguém

Um monstro de mil faces para enganar você
Você tem que ter mil olhos para ver
Monstro de mil disfarces todos pra te iludir
Você tem que ter mil pernas pra seguir

E praquele que tem o entendimento
Escute agora o nome do tormento

Ele é um monstro de mil faces – tema!

E praquele que busca a liberdade
Escute agora a voz da calamidade

13. A entidade

Você sabe que não me pode vencer
Você sabe que eu estou em você

Estou aqui séculos antes de você nascer
Que ousadia pensar que me pode deter

Estou aqui há séculos e séculos
E sempre fiz parte da história
Em meu nome, para minha honra
É que jaz toda a glória
De onde vim, não digo,
Ninguém saberá ao certo
Tenho a força comigo
E o poder sempre por perto
Tentar me deter é tolice,
Melhor seguir na mesmice
Destruir-me seria destruir
Grande parte do mundo
Pois nele já estou
Enterrado bem no fundo
Possuo todo e cada corpo
São todos meus serviçais
A maioria prefere assim
E me paga cada vez mais
Tributo! É fácil comprá-los
Eu tenho o preço
Para cada pessoa
Ouro, sexo, fama, pó
Eu subo, eu desço
Eu mato à toa
E cada um está só
Em pares ou não
E em sua solidão
Mantenho todos sedados,
Inebriados, vendados, calados
Do mundo, os maiores chefes
São apenas fantoches em minha mão
São apenas pequenos blefes
Pra esconder a verdade da multidão
Esse é meu melhor disfarce
Ninguém jamais viu minha face,
Pois eu não a tenho,
Ou as tenho demais
Em toda instituição
Eu estou por trás
Eu sou uma corporação
Eu sou Legião
Pois somos muitos.
Estou em todos eles
Eu sou todos aqueles
Eu sou milhares, eu sou único
Sou uma entidade viva, pensante,
Devorador de almas,
De falsos sonhos fabricante,
Senhor de seus sentidos,
Herói, vilão e bandido.
Estou dos dois lados da guerra,
E os despojos são meus.
Sou o patrão dos patrões,
Chefe dos chefes.
Eu comando, eu reino, eu mando.
Eu já tive centenas de nomes.
Chame-me pelo que preferir.
Eu me limito a rir.

14. Somente minha mente

(Talvez você tenha razão
Você é forte e está em cada canto desse mundo
O que eu posso dizer?
Só o que eu posso dizer é que eu tenho algo
Que você quer, eu sei que quer
Mas vai ter que lutar pra conseguir
Algo mais!)

Eu sei que é uma luta impossível
Mas o que mais me importa
Não é a vitória, nem glória
E sim o tentar, o lutar
O vento, a vida, o luar
Que seja meu caminho cheio de moinhos
Que tenha você (o que quiser ter)
O que quiser ter (que tenha você)
Pois eu tenho algo mais em busca da paz
Pois eu tenho algo mais (eu tenho minha paz)

Eu tenho minha mente (eu tenho minha mente)
Eu tenho minha mente, só a minha mente
Eu tenho minha mente (eu tenho minha mente)
Eu tenho minha mente e só minha mente

E aqui você vai tentar
Mas não vai conseguir entrar
Aqui é onde se trava (a minha batalha)
A verdadeira batalha (é aqui que se trava)

Eu tenho minha mente (eu tenho minha mente)
Eu tenho minha mente, só a minha mente
Eu tenho minha mente (eu tenho minha mente)
Eu tenho minha mente e só a lamente

Pois aqui você vai tentar
Mas não vai conseguir entrar
Aqui é onde se trava (a minha batalha)
A verdadeira batalha (é aqui que se trava)

Pois aqui você vai tentar
Mas não vou te deixar entrar
Aqui é onde se trava (a verdadeira batalha)
A verdadeira batalha (é aqui que se trava)

Eu tenho minha mente (eu tenho minha mente)
Eu tenho minha mente (eu tenho minha mente)
Eu tenho minha mente e somente minha mente eu posso mudar
Eu tenho minha mente e somente minha mente eu posso mudar
Eu tenho minha mente e somente minha mente eu posso mudar
O único lugar que eu posso realmente mudar

15. Eu tenho tanto

Você tem tudo
Tudo aquilo que é seu
Você tem tudo
Tudo que já morreu
Você tem tudo
Mas eu sou muito mais eu

Eu tenho minha mente
E eu tenho minha vida
E momentos vividos
E eu tenho o caminho
E velhos amigos
E eu tenho o luar
O vento no mar
E eu tenho o lugar
Onde coloco meu corpo
Pra descansar
Eu tenho tanto
E não tenho nada
Pois nada importa
Se nada eu criar
Tantos desafios
Eu tenho um fio a desenrolar
Eu tenho minha vida
Eu tenho minha morte
Eu tenho minha sorte
Eu tenho meu lar
Onde eu for parar
Eu tenho poesia
E tanta canção
Que quero cantar
Eu tenho minha arte
Em qualquer parte
E acima de tudo
Eu tenho o amor
E acima de tudo
Eu tenho o número doze

16. Doze

“Aqui se realiza
Pelo fogo
A obra da luz eterna

Doze é um número glorioso
É a manifestação da Trindade
nos quatro cantos do horizonte
É a exaltação da matéria pelo espírito
Três vezes o quatro, doze
Jesus escolheu doze discípulos
Chamou aqueles que quis
e eles vieram a ele
em número de doze
O zodíaco divide a esfera celeste
Em doze casas
Doze meses do ano
Doze deuses do Olimpo
Doze cavaleiros na távola redonda
Doze tribos de Israel
Doze filhos de Jacó
que usava um peitoral sobre o qual
doze pedras:
Topázio – virtude
Esmeralda – justiça
Sardônico – elevação
Crisólito – sabedoria
Calcedônia – coragem
Jacinto – temperança
Jaspe – abundância
Crisólogo – a busca
Berilo – desprendimento
Safira – continência
Ametista – realeza
Ônix – humildade, caridade, sinceridade
O relógio se divide em doze horas
O mistério da meia-noite
O mistério das doze horas”*

Doze apóstolos
Doze signos
Doze horas no relógio
Doze meses
Doze tons
Doze trabalhos hercúleos

Doze é o número

Doze é o número cíclico
do símbolo universal

Doze é o meu número da sorte

Doze é o número do dedo dela
E eu ainda caso com ela, eu ainda caso com ela
Doze é o número do dedo dela
Aquele que terá minha aliança tão bela

Eram doze os apóstolos
Doze apóstolos de Cristo
Doze signos no zodíaco
E já estava tudo escrito
Doze meses, doze horas
Dividem o dia em dois
Como você me dividiu
Em antes e depois
Doze trabalhos não são nada
Comparados a você
Doze tons, doze tons
Minha harmonia é te querer

E doze mais um é treze
E doze mais um é treze
Para sempre
Treze do doze

* Trecho por Apolônio de Tiana

17. Se um dia você me deixasse

Se um dia você me deixasse não sei o que seria de mim
Qualquer via seria impura e a amargura não teria fim
Andaria sem prumo perderia o rumo do verso e da prosa
Não teria certezas nem veria beleza num botão de rosa

Se você não me amasse eu acordaria do sonho mais lindo
Mas se fosse um sonho então preferia que fosse infindo
Não sei bem ao certo sem você por perto o que eu faria
Depois de tanta doçura não teria cura a minha agonia

Se outro alguém surgisse e levasse de mim o seu coração
Não haveria quem suprisse sua face, seu corpo, sua mão
Como afogar tanta dor e a saudade de quando fomos dois

Com você conheci amor de verdade, ontem, agora, depois
Se um dia você me deixasse – que nunca exista esse dia
Porque se ele por acaso chegasse eu acho que eu morreria

18. Sangreal

Sangreal, meu Sangreal
Hei de buscar-te por toda minha vida
Sangreal, meu Sangreal
Até a hora da minha morte
Se preciso for

Sangreal, meu Sangreal
Até a hora que tu decidas
Sangreal, meu Sangreal
Que eu sou bastante forte
Para vencer a dor

“Mostre-me o Sangreal, Senhor! Mostre-me Teu sangue!
Teu corpo e Teu sangue! Dê-me a Busca!
Senhor, eu estou fraco e cansado; minha alma está enojada
De todas as falsidades, todos os pequenos objetivos,
As vaidades enfadonhas, as alegrias arfantes,
A vagarosa procissão deste farto mundo!
Bom Senhor, eu queimo por Ti! Dê-me Tua Busca!
Através do velho tempo ressonante,
Eu vejo Teus cavaleiros em disposição magnífica
Saindo para a vitória, como as estrelas solenes
Lutando seus percursos com suas espadas conquistadoras,
Seus tristes, rígidos lábios de pureza e força,
Suas glórias vivas, suas mortes majestosas.
Dê-me Tua Busca! Mostre-me o Sangreal, Senhor!” *

* Trecho traduzido e adaptado por Leo Lago de The new sangreal, original de Rose Terry Cooke.