Ó, Fortuna

Ó, Fortuna
como a lua
sempre variável,
vezes cresces
ou decresces;
vida detestável
hoje é dura
depois cura
a mente em teu jogo,
realeza
ou pobreza,
derrete em teu fogo.

Desumana
sorte insana,
na roda volúvel,
por maldade,
vã vontade
sempre dissolúvel,
sombreada
e velada,
sofro tua desdita;
costa nua,
lança tua
cólera maldita.

Nem saúde
ou virtude
ficam ao meu lado,
enfraqueço,
desvaneço,
sempre um condenado.
Aqui agora
sem demora
sintam meu castigo;
pela sorte
pende o forte,
lamentem comigo!


Livremente traduzido e adaptado de poema anônimo medieval.

Vinho, mulheres e poesia

Doce quando em companhia provo do vinho bom
Beijando tão belas damas, mais doce é o dom
Dulcíssimo se Virgílio dá-me a inspiração
Se todos três eu consigo, de trono eu abro mão

Baco incita em meu peito de Vênus tal amor
Vênus logo traz de Febo poético furor
Imortal Febo me inspira a belos versos compor
Ai de mim se esta trindade já infiel me for

Tirano tira-me o vinho, eu até desistiria
Não ame mais as suas damas! Doente eu não amaria
Abandone a sua poesia! Negar eu insistiria
Desista da arte ou pereça! Eu logo expiraria…


Livremente traduzido e adaptado de poema anônimo medieval.

Quando a noite se oferece à vida

Quando a noite se oferece à vida
E se reúnem amigos e amores
E se desce o vinho de rubras cores
E a hora se deixa levar, esquecida

E se existem garrafas por demais
E se bocas existem tão de menos
Os copos se transmutam a pequenos
E a barreira da mente se desfaz.

Quando enfim te livrares do teu eu
Traga-te tua manhã seja o que for
Vã ventura, remorso ou mesmo dor

Só não maldiga a noite que viveu
Já que entregando a Baco teu futuro,
Beber é qual jogar dado inseguro.