À Fortuna lamento eu

À Fortuna lamento eu
com os olhos marejados
pois tudo o que ela me deu
tenho de mim retirado.
Fronte plena capilar
mas é verdade tão alva
quando tentas agarrar
a Oportunidade é calva.

Orgulhoso me sentei
em um trono afortunado,
próspero tal qual um rei
com boas flores coroado;
mas se antes eu floresci
tão feliz e abençoado,
agora do alto eu caí
da minha glória privado.

A roda volta a girar:
descendo sou humilhado,
altera quem no alto está;
ao vértice é elevado
um novo rei a sentar,
cuidado com a ruína!
No eixo um nome há de enxergar:
é o de Hécuba, a rainha.


Livremente traduzido e adaptado de poema anônimo medieval.

Um comentário em “À Fortuna lamento eu

  1. Pingback: Sob o signo de Pã

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