Ave, formosíssima

Se eu bem falasse a língua dos anjos e humanos,
não me valeria expressar, por todos os anos,
por que elevo-me acima dos mais altos planos
mesmo sendo invejado e chamado profano.

Mesmo assim, cante, minha língua, a causa e o efeito!
Mas o nome da dama que queima em meu peito
mantenha velado, que não seja mostrado
o que é secreto àqueles não iniciados.

Vi uma bela flor se abrindo, vi a flor das flores,
eu vi a rosa mais linda com todas suas cores,
vi a estrela mais clara cheia de esplendores
pela qual me vi sucumbindo em amores.

Meu coração se perde naquilo que vejo,
eu todo me rendo ao inefável desejo;
bem sabendo que minha alma já era sua escrava,
diante dela me curvei enquanto a saudava:

“Ave, formosíssima, joia preciosa,
ave, glória entre as damas, dama gloriosa,
ave, luz das luzes, ave, mais bela rosa,
Brancaflor mais Helena, Vênus generosa!”


Livremente traduzido e adaptado de poema anônimo medieval.

Um comentário em “Ave, formosíssima

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