O bosque de Pã

Na noite que cai com seus segredos
A força que leva todos os meus medos

Olho em ti, sobre ti e através
Amo a mulher que tu és

Esta noite
Seremos deuses

Sou Pã!
Minha deusa, minha ninfa
Minha cabra
No aperto que sinto
Quando tens minha vara

Sou fauno no afã
Sou teu deus Pã

Teu sátiro eu sou, lento e
Depressa tiro e ponho e vou

E penetro no escuro da mata
Entre as folhas
Entra a áspide

As roupas que vão
E já não preciso
Sou besta, sou fera
Somos o fim de uma era

Escuto as flautas na noite que cai
Os risos de faunos daquilo que sai

Minha Vênus, sê minha
E de todos e todas
Serão minhas

Entre linhas e vinhas e pinhas
Entre nós neste bosque
Que espalma entre palmas

E serei sempre teu e em ti
E terna eternamente assim
E tu sempre em tudo e aqui
Estarei infinitamente dentro
De teu universo
E meu verso será sempre teu

Minhas setas
Em ti, Tereza
Em êxtase na floresta
Éfire, minha ninfa
De amores, uma ilha

Essa noite
Fomos deuses

Sou teu Cristo crucificado
Seja minha Madalena
Beije minhas chagas
E seja minha blasfêmia
Puta e santa e tudo e nada
E nova e sempre em tudo afã
Diabo-deus, força de Satã
Portarei tua luz até o fim dos tempos
Abre tua caixa, Pandora, o que tem dentro
Eu não temo, eu não guardo, eu tremo
Em jorro, em gozo, no que diz o vento
Serei deus em ti, minha virgem
Meu espírito santo no tanto
Do sujo e do puro do que canto
Em cada instante de cada canto

O grande Pã vive!

Esta noite
Somos eternamente
Deuses

Um comentário em “O bosque de Pã

  1. Pingback: Sob o signo de Pã

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