Tripalium

A cada manhã a verdade eu encaro:
eu bem sei que não passo de um escravo.
Em meu corpo não estala a velha chibata
mas dia a dia a minha alma se mata;
e por dia permitem um pouco de sol,
remédio vendem se me sinto só,
um banho, um sono, um sonho em minha cela
sem luxo, eu pago tão caro por ela.
O ponto é um capitão sempre tão exato:
me caça no mato enquanto eu me mato
e minhas vontades eu afogo e embaralho
com custo e faço das tripas trabalho;
mesmo que me deixem brincar de vez em quando,
as correntes estão sempre apertando.

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