À sombra de uma murta

Por que eu deveria só prender-me a ti,
ó, adorável murta que eu escolhi?
Amores livres jamais poderão
serem presos ao que cresce do chão.

Ó, quão limitados se sempre aqui
só sob sua sombra eu poderia sorrir!
Como inútil semente sobre este solo
se só com minha murta eu me consolo.

Por que gastarmos tanto amor em vão
mantendo-o sob um pesado grilhão?
Por que sermos presos a suspirar
com tanta coisa que volta do ar?

A liberdade que sempre se quis
cortando a antiga e tão velha raiz
antes que o tempo jovem vá fugir
tal como uma folha seca a cair.

Por que deverias prender-te só a mim,
ó, minha adorável flor de jasmim?
Amores livres jamais poderão
serem presos ao que cresce do chão.


Livremente traduzido e adaptado de poema de William Blake.

Um comentário em “À sombra de uma murta

  1. Pingback: Sob o signo de Pã

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