O entardecer de um fauno

Ninfas de minha vida eu as tenho na mente,
de tuas peles meu corpo o toque leve sente;
meu peito inda duvida em versos que eu componho:
amor terei sonhado, eu só amei em sonho?

Ai de minha descrença, antiga noite em resto,
derrubada por terra enquanto bem atesto:
se não passou de sonho assim como eu suspeito,
que faz essa mordida ainda no meu peito?

Sozinho, reflito.
Cada vão momento
sonhando repito
em meu pensamento.

A pureza em cachos,
negro olhar, profundo.
Virgem mata onde acho
todo amor do mundo.

Longo tempo com ela eu tive alguma paz:
quando em serenidade, uma me satisfaz…

Mas vê!
Há tantos amores!
Viver
por todas as cores!

Meu desejo é tão livre, estou solto no espaço
uma e outra e nova presa então lascivo eu caço.
Quando em serenidade, uma me satisfaz?
Parece tão distante, eu já nem lembro mais.

Falta-me a justa força e sinto o ar espesso,
o peso no meu corpo agora que entardeço.
Em breve chega a noite e quem sabe sem lua;
a escuridão vem vindo e a mim já se insinua.

Ninfas, eu vos recordo em um último adeus;
vos cantarei lembrando os velhos sonhos meus:
em versos eu exponho a minha mente nua!
Vai, coração, confessa agora a culpa tua!


Inspirado por “L’après-midi d’un faune” de Stéphane Mallarmé.

Um comentário em “O entardecer de um fauno

  1. Pingback: Sob o signo de Pã

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s